23/11/2011 - Dia da Consciência Negra alerta para combate ao racismo no sistema público de saúde

Dia da Consciência Negra alerta para combate ao racismo no sistema público de saúde

No dia da Consciência Negra, lembrado neste domingo, 20 novembro, o Ministério da Saúde alertou para a importância de ações capazes de combater o preconceito racial na rede pública de saúde do Brasil. Uma das medidas já estabelecidas nesse sentido foi o acordo assinado recentemente para a adesão da campanha “Igualdade Racial é Pra Valer“. O acordo prevê o enfrentamento ao racismo institucional no SUS, Sistema Único de Saúde.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reforça que é preciso vigiar permanentemente o tema. ”Os preconceitos que existem estão arraigados na forma como a instituição se organiza, como o serviço se organiza, como os profissionais foram formados e a cultura da própria instituição. Por isso que nós queremos uma campanha permanente de combate ao racismo institucional nos serviços públicos e privados de saúde”, destaca.

Alguns estudos já apontaram as diferenças no tipo de atendimento prestado a pessoas brancas e negras. Um deles revelou que, na hora do parto, mulheres negras acabam recebendo menos anestesia do que as brancas. A diretora do Departamento de Apoio à Gestão Participativa do Ministério da Saúde, Julia Roland, explica que é preciso conscientizar os profissionais de saúde. ”A primeira coisa para termos um combate efetivo é reconhecer que o problema existe. E ver medidas também para combatê-lo, que é o caso do próprio profissional de saúde tomar consciência disso na medida que acolhe e recebe o usuário do SUS, seja negro, índio ou de qualquer outra etnia com tratamento digno a todos”, ressalta a diretora.

Segundo ela, é preciso ser realizado um trabalho contínuo de conscientização, já que o preconceito racial ainda é uma realidade no País e isso se reflete em todos os setores.

Fonte: Alexandre Penido, Web Rádio Saúde

Dilma diz que "pobreza no Brasil tem face negra e feminina"

Presidenta Dilma Rousseff posa para foto Oficial ao lado de Chefes de Estado, durante encontro Iberoamericano de Alto Nível em comemoração ao Ano Internacional dos Afrodescendentes. (Salvador-BA,19/11/2011)No encerramento do Encontro Ibero-Americano de Alto Nível, em comemoração ao Ano Internacional dos Afrodescendentes, a presidente Dilma Rousseff afirmou que "a pobreza no Brasil tem face negra e feminina".

Nestes 123 anos, disse Dilma, "sofremos as consequências dramáticas da escravidão" e foi preciso combater uma delas, a sistemática desvalorização do trabalho escravo, que resultou na desvalorização de qualquer tipo de trabalho no País. A característica mais marcante da herança da escravidão foi a invisibilidade dos mais pobres, enfrentada nos últimos anos a partir da certeza de que o crescimento do país só seria possível com distribuição de renda e inclusão social, acrescentou.

No entanto, para a presidente existe uma "boa herança" da escravidão, que é o fato de milhões e milhões de negros terem construído ao longo dos anos a nacionalidade brasileira, junto com as populações indígenas, europeias e asiáticas. Segundo Dilma, essa "biodiversidade" cultural é uma das maiores riquezas do Brasil, e uma grande contribuição para o mundo, especialmente quando ressurgem em vários países preconceitos contra imigrantes.

Ela ressaltou que, embora o País tenha a segunda maior população negra do mundo, atrás apenas da Nigéria, a discriminação persiste: os afrodescendentes são os que mais sofrem com a pobreza e o desemprego.

Idealizador do Dia da Consciência Negra morreu de câncer

O professor, poeta e pesquisador gaúcho Oliveira Ferreira da Silveira morreu em 1º de janeiro de 2009, aos 67 anos, vítima de câncer. Ele foi um dos idealizadores do Dia da Consciência Negra (20 de novembro), cujas comemorações se iniciaram em 1971 com o Grupo Palmares em Porto Alegre — entidade que, durante o regime militar, evocou ícones negros como Luiz Gama e José do Patrocínio.

Em 2008, durante as comemorações do Dia Nacional da Consciência Negra, Oliveira Silveira foi entrevistado pela Agência Brasil. Na entrevista, ele explicou por que um grupo de negros decidiu, em 1971, criar uma data para reverenciar Zumbi e o Quilombo do Palmares, em substituição ao 13 de Maio, Dia da Abolição da Escravatura, assinada pela princesa Isabel em 1888:

O professor, poeta e pesquisador gaúcho Oliveira Ferreira da Silveira . Estávamos insatisfeitos com o 13 de maio. Havia um grupo de negros que se reunia na Rua da Praia [no centro de Porto Alegre] e o nosso assunto, invariavelmente, era a questão negra e o fato de o 13 de maio não ter maior significação para nós. Logo, surgiu a idéia de que era preciso encontrar outra data.

A data escolhida foi o 20 de novembro. "Como gostava de pesquisar, aprofundei-me nisso. E encontrei material, cuja fonte era Édison Carneiro, autor do livro O Quilombo dos Palmares, indicando que Zumbi dos Palmares havia sido morto em 20 de novembro [de 1695]. Essa informação foi confirmada no livro As Guerras dos Palmares, do português Ernesto Ennes, no qual foram transcritos documentos. Já que não sabíamos o dia de seu nascimento ou do início de Palmares, tínhamos pelo menos a data da morte de Zumbi, o último rei do Quilombo de Palmares, em Alagoas. Então, promovemos uma reunião, que originou o Grupo Cultural Palmares, cuja idéia era fazer um trabalho para reverenciar Palmares e Zumbi como algo mais representativo que 13 de maio", lembrou Oliveira Silveira.

Em meados dos anos 70, recordou o poeta, a data também começou a ser comemorada em São Paulo e no Rio de Janeiro. No final de 1978, a assembléia do Movimento Negro Unificado contra a Discriminação Racial (MNUDR), realizada na Bahia, aprovou o 20 de novembro como dia oficial de celebração da comunidade negra brasileira.

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