Simone Marilene de Souza Lopes: Fazer o bem sem pensar para quem
Fazer o bem sem pensar para quem. Esta crença tem norteado minhas ações dentro do voluntariado. Trabalhar em prol de uma causa traz muitas alegrias, uma vez que o ser humano foi moldado para a cooperação. Sou farmaceutica graduada na Universidade Federal de Santa Catarina (1997) com habilitação em Tecnologia de Alimentos. Atualmente atuo como farmacêutica hospitalar e Gerente Técnica da Clínica Integrada da Mama, principalmente no Setor de Oncologia e Gestão, além do cargo de Diretora Executiva da Associação Brasileira de Portadores de Câncer, AMUCC.
Trabalho no Controle Social desde o ano 2000, a partir de um convite da Dra. Cacilda Maria Rogério Furtado para fazer parte da diretoria de uma organização que ela idealizou com algumas mulheres, a maioria com diagnóstico de câncer de mama. Na época eu trabalhava no CEPON e na Climama como farmacêutica. Assim, aceitei o cargo de diretora financeira na Associação da Mulher Catarinense com Câncer (AMUCC), influenciada pelo entusiasmo dessas mulheres. Com o passar do tempo, a causa passou a ser minha e fui dedicando cada vez mais tempo à Instituição. Em 2008, saí da Diretoria e passei a ocupar o cargo de Diretora Executiva, participando ativamente da elaboração e execução de todos os projetos.
Ao longo dos dez anos da existência da AMUCC, muitas coisas aconteceram: várias diretorias passaram, ocorreram algumas crises, mudamos o nome da nossa ONG para Associação Brasileira de Portadores de Câncer, abrangendo a doença em geral, mas permanecemos com a marca AMUCC, porém, eu nunca consegui me distanciar. Sempre estive presente, cuidando da parte cartorial e da execução dos projetos. Atualmente dedico em média três horas diárias para a Instituição. Divido este tempo na própria sede da AMUCC, no meu local de trabalho e em casa.
Antes de iniciar as atividades na Instituição eu já me identificava com a causa do câncer. Perdi uma tia em decorrência do câncer de mama, em fase intermediária. Porém com a demora do SUS ela não conseguiu iniciar o tratamento (cirurgia e radioterapia) e acabou tendo metástase logo em seguida. Alem dessa situação, no final de 2006, minha avó e minha mãe tiveram câncer de mama. Minha avó, aos 75 anos, descobriu numa cirurgia de retirada de papiloma um câncer de mama in situ multifocal; fez mastectomia, colocou prótese e não precisou fazer quimioterapia nem radioterapia. Dois meses depois, minha mãe retirou uma lesão suspeita, que se confirmou um câncer também in situ, porém com único foco, realizou quadrantectomia e como tratamento, hormonioterapia.
Esses dois acontecimentos reforçaram tudo que faço na AMUCC, ou seja, mostrar para a sociedade que o câncer de mama, por exemplo, se diagnosticado precocemente, tem cura. Esta causa já faz parte da minha vida há muito tempo e tento contribuir o máximo para que sua missão permaneça viva e os projetos tomem forma e se desenvolvam. E, quem sabe, daqui há alguns anos o câncer possa ser visto como uma doença controlável.
Simone Marilene de Souza Lopes
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